andamentos do concurso ♪ o meu caminho para casa ♫

fevereiro 4th, 2010

Bom, recebi vários textos sobre o tema. Como sou manteiga derretidíssima, já tuitei sobre isso ao @vermelhocarne, é sempre bem difícil escolher, meio que na base do sorteio.

Leiam quem são os felizes candidatos nos comentários do post abaixo

É que o gesto me seduz, não tem jeito. Isso da tentativa, sabe? De receber alguma coisa de alguém. Ganhadores pouco importam, já que nunca há caminho para casa no terceiro mundo. Mas seguimos perdendo e na tentativa da volta, todos os dias, nisso, não é mesmo? É como saltar no lugar de voar.

E eu posso dizer “terceiro mundo” aqui, não é mesmo? Metrô inundando é terceiro mundo, gentem! Shopping center que se pretende ultrachique com cheiro de cocô também (foto ao final). Aliás, se pretender ultrachique é a definição em si disso tudo. Dessa porcaria.

Mas aí vc recebe um texto das pessoas falando disso, do retorno para casa, vc recebe, o gesto. E terceiro mundo fica no século passado, na Guerra Fria que inventa fatos mentirosos (ex.: o homem ter pisado na Lua). Não sei, isso tudo do texto cria um espacinho onde não existia nada. No espacinho podem caber então os tijolos, as fundações imaginárias, os amigos que a gente recebe em casa.

Todos os homens voltam para casa.

meninos, vcs sabem que eu adoro vcs? julho de 2008, caqui, daud e yo em incursão antropológia & antológica ao shopping cidade jardim.

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CONCURSO: ♪ o meu caminho para casa ♫

fevereiro 2nd, 2010

concurso por aqui sempre dá errado, há umas falcatruas, vencedores que não recebem prêmios. quem mandou professora do primário falar na vigência do competir?

só para dizer que não minto, conheça os últimos:

bom, o caso é “pensei num novo concurso agora

… considerando uma mini-utopia-poética, que qq fragmento de nossa vida pode dizer tudo sobre nosso modo de vida inteiro

… considerando que escrever qq bobagem sempre faz bem pra saúde. ou não, e

… principalmente considerando que poetas são absolutamente exagerados

: o melhor texto com o tema “♪ o meu caminho para casa ♫” ganha. é um tanto irônico, sim? óbvio que o melhor ganha, é capitalismo, não avisei? ganha uma menção aqui, pode ser? pode ser inédito, virgem e repassado, sem preconceito etário. ganha o nosso respeito, o que mais?

bem, me envia o texto como quiser: nos comentários, vale publicar no blogue e me diga o link, mandar pelo anarusche+gmail.com, etc. prazo: até sexta-feira agora.

sorte!

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preguiça já para a próxima semana

janeiro 29th, 2010

Obaysch (1849?- 11 March 1878) was the first hippopotamus seen in England since prehistoric times, and the first in Europe since Ancient Rome.

Reli hj boa parte deste blogue. Incrível como a gente muda pouquíssimo. E não é elogio, claro. Refugos de poemas, as mesmas idéias rabiscadas, círculos concêntricos. Construindo a estrutura de Nós que adoramos um documentário [+ sobre o projeto]. Epígrafe óbvia já escolhida.

Decidi (o que significa que a qq momento poderei mudar de idéia), que haverá bem uns 6 poemas sobre minha cirurgia do ano passado. Também preciso encontrar coragem para passar a limpo os poemas que escrevi sobre Ubatuba, são lights, mas só para os outros. Ah,  os outros. Há uns ainda muito deprimentes, enfim, juntando tudo para começar a limar, desentortar, botar no sol, acertar o sal, isso tudo.

Mando um que encontrei agora, ainda manuscrito, dedicado à criatura que hoje me acordou 5 minutos antes de eu perder a hora irremediavelmente. Cães fizeram um pacto com o sol.

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meu cachorrinho não sai agora de meus pés
ele sabe toda a história e assim nem passear longe vai,
nem sai e já retorna, preocupado, passa visita de hora em hora
lambe minhas faces e olha sisudo quando me mexo muito
era um filhote, mas já cresceu, isso de ser pequeno passou
me traz preciosidades - cenouras, ossos artificiais, panos e canetas
ele não se afasta nada. e late bem bravo aos fantasmas que se avizinham


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mais vasto é o céu

janeiro 28th, 2010

Vasculhei ontem e hoje minha atrapalhada cabecinha à procura de assunto preste lugarzito. Já agora me parece tudo bem simples: que sou feliz por possuir minha caixa postal, tão cheia de luzes frias e notícias resplendorosas, e que Drummond sempre é Drummond.

Mas observe, quando publico um poema aqui, há certas regras

: normalmente escolho um livro da estante, me levanto, cheiro as pilhas, ou mesmo um que trouxe na bolsa, folheio, desisto e retorno, insisto e assim vamos. Feita a vítima, adoro datilografar todo o texto, reler com a polpa dos dedos os versos, aliás, taí excelente exercício pra dias sem criatividade. Perceber as gramáticas profundas, as quebrinhas, os detalhes.

Hoje não. Procurei na net e é meio terror. Ainda digo a constatação do óbvio pro Dirceu e ele concordará plenamente comigo: as pessoas possuem um profundo mau gosto. Os poemas do pobre Drummond que circulam por aí, com exceção dos top-10 básicos, são bem sofríveis. Les événements m’ennuient. Isso faz com que cada vez mais goste de Claro Enigma e nem precisa dizer da máquina do mundo, digo mesmo das flores de horta.

Queria assim agradecer ao francês roubado e ao poema copycolado de Além do Muro da Estrada.

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Dissolução

Escurece, e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve ao dia findar,
aceito a noite.

E com ela aceito que brote
uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.

Vazio de quanto amávamos,
mais vasto é o céu. Povoações
surgem do vácuo.
Habito alguma?

E nem destaco minha pele
da confluente escuridão.
Um fim unânime concentra-se
e pousa no ar. Hesitando.

E aquele agressivo espírito
que o dia carreia consigo
já não oprime. Assim a paz,
destroçada.

Vai durar mil anos, ou
extinguir-se na cor do galo?
Esta rosa é definitiva,
ainda que pobre.

Imaginação, falsa demente,
já te desprezo. E tu, palavra.
No mundo, perene trânsito,
calamo-nos.
E sem alma, corpo, és suave.

Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma, 1951.

É preciso muito senso de humor para sobreviver nesta indústria.

janeiro 26th, 2010

A constatação é da Jean Simmons, atriz que faleceu em janeiro. Mais ou menos sobre esse tema girou minha cabeça durante feriadão e as conversas com a Patyzinha.

Pensei que havia rascunhado poemas mentalmente. Fui transcrevê-los e não saiu nada - creio que o HD ainda está ruminando, passando scandisk. Mas ganhei um caderninho e sou 70% mais feliz por isso. E nem pense que é fácil assim me agradar.

Há um monte de questão fundamental sobre a cidade de asas.

Por exemplo, Brasília é parida de Cidade Universitário cruzada com Los Angeles o tempo todo. Bolsões verdes e vazios. A ocorrência de pedestres e calçadas é mínima, investiguei pessoalmente a hipótese.

Um monte de questão fundamental e fico aqui quietinha, semana essa é mais curta e não tô nas maiores inteligências.

Cito apenas o blogue I still believe, da  Carol e da Jacque, que criaram este blog, com a intenção de publicar as atividades de Língua Portuguesa, alunas da 7ª C:

“Brasília é uma cidade que, a exemplo de Moscou, cultua um cadáver centrado em um monumento no formato de uma foice. Este monumento é o Memorial JK”.

Até amanhã.

Foto: Andréia.

456

janeiro 22nd, 2010

Legenda Ensaio sobre a Cegueira:
- Que-Cheirinho-de-Cocô-plin-plin!

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Lembrei que a cidade faz anos na segundona
: ótimo, assim posso não estar aqui.

Do meu grupo de amigos, são poucos os autóctones (roubei da Mme. Denser) - paulistano, sorry, é vocábulo que só cabe em palavra-cruzada. Todo mundo que tem dignidade veio ou volta pra algum lugar mais interessante, sabe isso de terra natal?, tão poético, o Siará da Érica, o interiorrr de tantos…

São Paulo me parece uma grande rodoviária, suja, desorganizada, com modismos próprios, cheia de lojinha com produto que vc nunca viu, nem sabe proquê serve e gente atrasada te dando cotovelada. Saudades do que não conheci pelo Piva.

Y Feliz Aniversáriu, chérizinha, vc sabe que te amuuu. Ahazaaa!

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Praça da República dos Meus Sonhos

A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem
de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo e crianças brincando
na tarde de esterco
Praça da República dos meus sonhos
onde tudo se faz febre e pombas crucificadas
onde beatificados vêm agitar as massas
onde García Lorca espera seu dentista
onde conquistamos a imensa desolação dos dias mais doces
os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão
lábios coagulam sem estardalhaço
os mictórios tomam um lugar na luz
e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos
Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras sexos de papel
anjos deitados nos canteiros cobertos de cal água fumegante nas
privadas cérebros sulcados de acenos
os veterinários passam lentos lento Dom Casmurro
há jovens pederastas embebidos em lilás
e putas com a noite passeando em torno de suas unhas
há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da República dos meus
Sonhos última sabedoria debruçada numa porta santa

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(Poema de Roberto Piva - retirei de Em “Paranóia”, Roberto Piva traduz caos urbano de São Paulo, artigo de Martha Lopes. E mil desculpas pela quebra de linhas!, tosquera. )

ATUALIZADO: nossa, acabo de saber pelo Ademir, que o Piva está internado, ohlelê, é muito coisa triste.

diretamente da Cidade Mais Feia do Mundo

janeiro 21st, 2010

Queria escrever assim um post deslumbrante hj, mas estou com uma preguiça dos diabos (faz uns 3 dias já). Desisti. Cito, sem nenhuma conexão lógica, que descobri um grupo interessante, os Neuróticos Anônimos (NA), que recebi notícias do Siará e que o ruim da internet é isso, que vc não pode abraçar pessoas. Aliás, como em qualquer parte.

Li artigo do Marcelo Pisarro sobre a transmissão televisiva do Haiti & e nossa recepção das notícias confortável no sofá da sala. Nem digo que fiquei deprimida com as opiniões do nerd all stars, pq ando meio impassível, entretanto o cara manda bem: “El género podría ser thriller, o terror, o drama, o documental, o catástrofe. Pero no. Es otra cosa: infoentretenimiento” (retirado de Mirando haitianos muertos por tevé). Para vc que é praticamente um poliglota e entendeu perfeitamente a frase, não irei traduzir.

Bom, nem é novo isso. Tenho a mesma sensação - há muito que essas notícias terríveis todas se transformam em uma grandíssima novela, como se o melodrama fosse ainda a única forma passível de informar a civilização ocidental de suas mazelas (e empurrar tudo para baixo do tapete, claro). O melodrama já formata tudo numa maneira padrão de sentir, uma maneira standartizada de organizar os sentimentos, da comoção bem medida e mastigadinha, do boa-noite tranqüilo vindo dos achados-vivos embaixo dos escombros para vc poder dormir bem, com a esperança no coração, levantar e ir trabalhar, comprar e se divertir. E a novela da desgraça se prolonga no tempo, com reviravoltas bem medidas, para vc não achar que sua vida é um tédio (ai, falei, desculpa).

E bote aí uma happy face, que não há nada mais cafona que gente sem entretenimento. Happy face e beeem magrinha, bebericando um café cadavérica antes de desfile. Sooo 2002 discutir anorexia no SPFW. Auschwitzlook sempre será tendência, amada. Every woman adores a Fascist.

Refiz um poeminha de abril passado, the cruellest month, breeding, umas alterações vagabundas - desde então parece que choveu tanto. Sempre chove demais. E aqui, na Cidade Mais Feia do Mundo, tudo se relega às águas. Inesquecendo que a tentativa global de novo cartão-postal de São Paulo é estaiada sobre cocô.

A foto , por exemplo, cheira bem mal.

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chove tanto e eu queria que me internassem
aí vc iria trazer uns docinhos pra mim
me visitaria com a frescura dos já que podem ir
desejaria: ei, sorte na vida!

entretanto, foram os teus responsáveis
que agora me proibiram de te visitar
e logo deram ordens
aos homens de branco e de preto.
agora nem sei mais:
levei sempre chocolates às quintas-feiras
sempre roguei pelamordedeus
ai, jesusamado nessa hora de aflição
na certeza da enfermeira que comeu os docinhos.

e nem sei mais se tivemos um nome
nem se fomos um dia qualquer tipo de coisa
mas estacamos ali, porta muda de duas faces
rabiscando nossas inicias em cinza
umas letrinhas na lata dura
até que parasse a hora de chover
e aqui parece que sempre chove demais.

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o que salva é o céu

janeiro 19th, 2010

a agricultura minifúndica de apartamentos, assim como outras artes da vida, apresenta dias com menos cores.

se sair o poema que rascunhei, depois posto. aqui tá virando meio cesto de rascunhos, reparô? (quaaase escrevo de lixo). hum, não é lá estratégia mais das boas, but who really cares? a gente vai ficando transparentinha, é bom se sentir escritor fantasma. ainda mais se vc tiver que preparar aulas de noite e madrugada a fora, ai, ai, assombrando a própria casa em ronda.

folhescentes

janeiro 18th, 2010

outro inédito

janeiro 15th, 2010

pro que pediu & sou facinha

(inda mais de sexta-feira. mentira)

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quando se é noite, nos todos os dias do coração,
e os cobertores dançam nas ruas como cabides de meninos,
uma mão é um ninho, de cachimbo e dureza
é o que aninha o silêncio da pedra
ainda é o que aninha o que nunca conheço, palavra
tenho bem medo dessa noite, tranco-me em algum lugar, é a violência
medo desses dias em que todos os corações já são escuros
aninho-me no meu cobertor que já não dança, doente do pé,
é a preguiça, sabe? também tem isso, um cansaço de aspirina
uma vida besta de pedra opaca, à que tudo se volta em volta

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(e tenho que admitir que roubei o tema do joão wainer. a gente nunca cria nada sozinha)

    ana rüsche

    são paulo, brasil

    escritora, 30 anos

    twitter: @anarusche

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    + Vídeos

    La Masa de la Tortilla es la Masa del Amor Homenagem a César Vallejo (Peru), reescritura do poema "Masa" por Alan Mills (Guatemala). Direção: Ana Rüsche, Trilha: "Stranger", Tripsounder. Poema na íntegra aqui ("Ni todos los compadres/ y comadres reunidas,/ soplando balas que parecían/ Burbujas de Amor"), + sobre o projeto | dez 2008

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    Feitiço de Natal - Hechizo de Navidad Texto e Vídeo: Ana Rüsche (Brasil), Traducción: Alan Mills (Guatemala), Lectura/Leitura: Alejandro Mendez (Argentina) e Rafael Daud (Brasil), Starring: Soldados Brians (Chile), Trilha: Pol B Binarymind. Poema na íntegra aqui ("Aqui, Onde a Chuva Cai,/ nos proibiram esse ano de nascer o verão") + sobre o projeto | dez 2008

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    La Carnicería Punk Sobre a oficina de criação "Moda y Pueblo", em Santiago do Chile, coordenada por Diego Ramírez. No vídeo, versos de Raúl Zurita, Héctor Hernandez Montecinos, Pablo Paredes y da antologia "Frágil" | out 2008

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    El Libro de Alan Vídeo para Mostra SESC 2008 | Ana Rüsche, Maurício Kqi Schuartz e Rafael Daud. Projeto eletrônico disponível em www.librodealan.wordpress.com

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    Leitura de "Tempo de Guerra" Livraria Conejo Blanco, Cidade do México. Poema na íntegra aqui ("Pega meu corpo de boneca inflável") | nov 2007

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